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Como reduzir o risco de demência? A OMS aponta hábitos e cuidados que ajudam na prevenção da demência e na proteção da saúde cerebral. Existe alguma coisa que pode ser feita antes que os primeiros problemas de memória apareçam? Para muitas famílias, essa dúvida surge quando os pais envelhecem ou quando existe histórico de demência …

Como reduzir o risco de demência? A OMS aponta hábitos e cuidados que ajudam na prevenção da demência e na proteção da saúde cerebral.

Existe alguma coisa que pode ser feita antes que os primeiros problemas de memória apareçam? Para muitas famílias, essa dúvida surge quando os pais envelhecem ou quando existe histórico de demência entre parentes próximos.

A resposta é que alguns fatores relacionados ao risco podem, sim, ser modificados ao longo da vida. Nas diretrizes atualizadas para redução do risco de declínio cognitivo e demência, divulgadas em julho de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que até 45% do risco de demência está relacionado a fatores que podem ser modificados. Entre eles estão sedentarismo, tabagismo, consumo prejudicial de álcool, isolamento social, pressão alta e diabetes.

Isso não significa que seja possível garantir que uma pessoa nunca desenvolverá demência. Idade, genética e outros fatores também participam desse processo. A ideia de prevenção da demência, portanto, está relacionada a reduzir riscos e, em alguns casos, contribuir para adiar o aparecimento do comprometimento cognitivo.

Movimento precisa fazer parte da rotina

A atividade física aparece entre as medidas recomendadas pela OMS para reduzir fatores relacionados ao desenvolvimento de demência. Além da relação com a saúde cerebral, movimentar-se ajuda no controle da pressão arterial, do diabetes e de outros problemas que também estão ligados ao risco de comprometimento cognitivo.

Para uma pessoa idosa, isso não significa necessariamente frequentar uma academia ou realizar exercícios intensos. A atividade física na terceira idade precisa respeitar as condições de saúde, a mobilidade e as orientações profissionais.

Uma caminhada pelo bairro pode funcionar para quem tem boa autonomia. Para outro idoso, caminhar alguns minutos no quintal, levantar-se da cadeira ao longo do dia ou realizar os exercícios indicados pelo fisioterapeuta já representa uma mudança importante em comparação com passar horas sentado.

O que faz diferença é evitar que a inatividade se torne o padrão de todos os dias.

Alimentação e saúde cerebral também estão relacionadas

A atualização da OMS recomenda uma alimentação saudável e equilibrada como parte das medidas para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. A orientação se soma aos benefícios conhecidos de uma boa alimentação para a saúde cardiovascular e metabólica.

No cotidiano, não é necessário transformar cada refeição em uma dieta complicada. Para muitos idosos, o primeiro passo é observar se as refeições continuam variadas, se frutas, verduras, legumes e outros alimentos nutritivos aparecem com frequência e se o consumo de produtos muito ricos em sal, açúcar e gorduras está ocupando espaço demais no cardápio.

Também é importante acompanhar mudanças no apetite. Um idoso que começa a substituir o almoço por café e biscoitos porque não tem disposição para cozinhar, por exemplo, pode precisar de ajuda para manter uma rotina alimentar mais organizada.

A OMS também alerta que suplementos de vitaminas B e E, ômega-3 e multivitamínicos não devem ser utilizados especificamente para tentar prevenir demência quando não existe uma deficiência diagnosticada. Ou seja, comprar suplementos por conta própria não substitui alimentação adequada nem acompanhamento de saúde.

Controlar pressão, diabetes e colesterol protege mais do que o coração

Pressão alta, diabetes e colesterol elevado costumam ser associados imediatamente ao risco de infarto e AVC. As novas diretrizes mostram que acompanhar essas condições também faz parte dos cuidados voltados à saúde cerebral do idoso.

Esse cuidado acontece longe de soluções mirabolantes. Envolve comparecer às consultas, realizar os exames solicitados e seguir corretamente o tratamento prescrito. Também significa não abandonar medicamentos porque a pressão “está boa” ou porque a glicemia apresentou melhora em uma medição isolada.

Para a família, pode ser útil observar se o idoso continua acompanhando essas condições de maneira regular, especialmente quando já começa a esquecer consultas ou confundir horários dos medicamentos.

Parar de fumar e reduzir o consumo de álcool também conta

O tabagismo está entre os fatores de risco para demência que podem ser modificados. A atualização da OMS recomenda intervenções para parar de fumar e também orienta reduzir o consumo prejudicial de bebidas alcoólicas.

Mesmo depois de muitos anos de tabagismo, abandonar o cigarro continua trazendo benefícios para a saúde. O acompanhamento profissional pode ajudar principalmente quem encontra dificuldade para interromper o hábito sozinho.

Com o álcool, a atenção precisa considerar a quantidade consumida, a frequência, possíveis interações com medicamentos e as condições de saúde do idoso. Quando houver consumo excessivo ou dependência, a orientação deve ser buscada junto a profissionais de saúde.

Conviver com outras pessoas também faz parte da prevenção

A convivência social na terceira idade ganhou espaço importante nas recomendações. A OMS inclui a participação em atividades sociais entre as medidas que podem contribuir para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência. O isolamento social, por outro lado, aparece entre os fatores modificáveis associados ao risco.

Isso ajuda a olhar de outra forma para situações bastante comuns. Um idoso pode morar sozinho e continuar conversando com vizinhos, encontrando amigos, frequentando a igreja, visitando familiares e mantendo uma rotina participativa. Outro pode morar com a família e passar praticamente o dia inteiro sem conversar com ninguém.

Por isso, convivência não deve ser medida apenas pelo número de pessoas dentro de casa.

Compartilhar uma refeição, conversar sobre as notícias, telefonar para um amigo, participar de atividades comunitárias ou sair para tomar um café são formas simples de manter vínculos. Para quem possui limitações de mobilidade, visitas e conversas dentro de casa também ajudam a reduzir longos períodos de isolamento.

Estímulo cognitivo precisa ter significado para o idoso

A atualização da OMS também inclui treinamento e estimulação cognitiva entre as intervenções que podem ser oferecidas a adultos com cognição preservada ou comprometimento cognitivo leve.

Na rotina, porém, estímulo cognitivo para idosos não precisa significar entregar uma folha de exercícios todos os dias.

Ler um jornal e conversar sobre uma notícia, jogar cartas, organizar fotografias antigas, ouvir músicas e lembrar histórias relacionadas a elas, fazer palavras cruzadas ou ajudar em uma receita são atividades que envolvem atenção, memória, linguagem e raciocínio.

O interesse da pessoa deve orientar as escolhas. Quem nunca gostou de palavras cruzadas provavelmente não passará a gostar porque envelheceu. Um idoso apaixonado por futebol pode se envolver muito mais conversando sobre os jogos da rodada. Para quem sempre cozinhou, ajudar a separar ingredientes ou recordar uma receita de família pode ser muito mais estimulante.

Audição, visão e sono também merecem atenção

A perda auditiva também foi considerada nas diretrizes. A OMS informa que aparelhos auditivos podem ser oferecidos como parte das estratégias de redução de risco para pessoas com perda de audição.

Uma dificuldade auditiva não tratada pode ainda interferir na própria convivência. O idoso deixa de acompanhar conversas, evita ambientes com várias pessoas e pode começar a participar menos das atividades que antes faziam parte de sua rotina.

Sono e problemas de visão também foram avaliados na atualização de 2026. Para esses dois fatores, porém, as evidências ainda não foram consideradas suficientes pela OMS para estabelecer recomendações específicas com a finalidade de prevenir o declínio cognitivo ou a demência. Isso não significa que devam ser ignorados: problemas de sono e alterações visuais precisam ser avaliados e tratados de acordo com as orientações de saúde indicadas para cada pessoa.

Na rotina de envelhecimento saudável, enxergar melhor pode facilitar leitura, deslocamentos e participação em atividades, enquanto investigar alterações persistentes do sono ajuda a cuidar da saúde de maneira mais ampla. O importante é não apresentar óculos, tratamentos para o sono ou qualquer outra medida como garantia de prevenção da demência quando a evidência ainda não permite essa conclusão.

Reduzir o risco depende do conjunto de hábitos

Talvez o aspecto mais importante das novas orientações seja perceber que não existe uma única atividade capaz de proteger o cérebro sozinha. Caminhar algumas vezes por semana enquanto o restante da rotina continua marcado por isolamento, tabagismo e doenças sem acompanhamento não produz o mesmo cenário de uma abordagem que cuida de vários fatores.

A OMS passou a incluir também intervenções multidomínio, ou seja, estratégias que trabalham diferentes aspectos ao mesmo tempo, como atividade física, alimentação, estímulo cognitivo, convivência e controle das condições de saúde.

Para uma família, isso pode ser traduzido em algo bastante concreto: consultas em dia, movimento dentro das possibilidades, refeições adequadas, oportunidades de conversa, atividades de que o idoso goste e menos horas consecutivas de completa inatividade.

São hábitos que precisam encontrar espaço na rotina, e não aparecer apenas de vez em quando.

Uma rotina mais ativa com apoio da Geração de Saúde

Nem sempre a dificuldade está em saber que o idoso precisa se movimentar, conversar ou participar mais do dia a dia. Muitas famílias entendem isso, mas trabalham fora, moram longe ou simplesmente não conseguem estar presentes durante todos os períodos em que o familiar permanece sozinho.

Nesses casos, o cuidador pode ajudar a organizar horários, acompanhar caminhadas ou outras atividades já liberadas, estimular conversas, jogos e leituras, acompanhar refeições e consultas e diminuir períodos prolongados de isolamento e inatividade. O acompanhamento deve respeitar as condições de saúde, os interesses e a autonomia de cada pessoa.

Geração de Saúde — cuidado domiciliar em Curitiba e Florianópolis com atenção à autonomia, à segurança e à qualidade de vida do idoso.

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